Não vejo sentido e isso é bom
Não vejo sentido e isso é bom
Eu queria que a dor da minha barriga fosse passada aos meus braços,
a única coisa que não foi embora enquanto todos iam,
partes de um loop com sensações fantasmas,
eu queria arrancar minha pele como arranco meu cabelo,
para que assim me sinta inteiro.
Tenho o resultado do sofrimento mas não tenho números como valor,
fui reduzido como minha dor.
Fui resumido,
meus questionamentos indicavam que eu era alguém,
hoje me vejo na linha de um trem,
no vazio sussurro "quem eu sou" e "eu me odeio",
ser é o sentido do ser,
ódio é não ser,
sei que ninguém vai me corresponder.
Eu era meus questionamentos,
eu ansiava por algo,
hoje sou o algo,
alga de peixes comidos por tubarões,
um tubarão que surgiu num copo d'água,
nadando no nada,
caçando problemas pra ter um propósito,
loucura que recusa a ternura,
metalinguagem subjetiva sem objetivo,
essa é minha vida.
Déjà vu do que não vivi,
algo além daquilo que constrói a frase,
sentimento é irracional e eu sou irreal,
não sei o que sou e ser,
não sei o que me aguarda,
não sei se têm guardas e se estou guardado,
sei que ninguém me vê.
Vendo tudo que escrevi como prolixo e pra lixo,
escrevendo o que convêm estando abaixo do que têm,
escrevendo meu sentido sem saber o que eu sinto,
senão não teria sentido,
não mais vendo o lado contrário pois não sei o valor de cada,
do todo,
não tem como destruir o nada.
O todo é o nada,
o gênio é um louco,
não me vejo como um gênio e nem como um louco,
tudo isso não diz nada sobre mim,
a diferença de ser e estar,
estar no ócio criativo,
ódio não correspondido por não entender,
a coisa que eu digo que não está em mim,
mas preenche o vazio,
meu subconsciente vê se amostrar como o objetivo,
retirar o "a" e não lembrar do início,
repito e nada sinto,
não minto,
não vivo ao redor disso,
tento fazer com que isso diga sobre o que está fora de mim,
mas um poema nunca acaba,
ele só para de se mover.
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