Não vejo sentido e isso é bom
Não vejo sentido e isso é bom Eu queria que a dor da minha barriga fosse passada aos meus braços, a única coisa que não foi embora enquanto todos iam, partes de um loop com sensações fantasmas, eu queria arrancar minha pele como arranco meu cabelo, para que assim me sinta inteiro. Tenho o resultado do sofrimento mas não tenho números como valor, fui reduzido como minha dor. Fui resumido, meus questionamentos indicavam que eu era alguém, hoje me vejo na linha de um trem, no vazio sussurro "quem eu sou" e "eu me odeio", ser é o sentido do ser, ódio é não ser, sei que ninguém vai me corresponder. Eu era meus questionamentos, eu ansiava por algo, hoje sou o algo, alga de peixes comidos por tubarões, um tubarão que surgiu num copo d'água, nadando no nada, caçando problemas pra ter um propósito, loucura que recusa a ternura, metalinguagem subjetiva sem objetivo, essa é minha vida. Déjà vu do que não vivi, algo além daquilo que constrói a frase, sentimento é irracional...